Desenvolvimento moral

Falar em moralidade é, antes de mais, falar no respeito por certas normas e princípios. Normas princípios que são sociais, por um lado, e prescritivos ou normativos, por outro. De facto, parece que uma das características fundamentais da moralidade é ser prescritiva, normativa e generalizável. Por outras palavras está mais ligada ao domínio do dever que ao domínio do ser.

Em relação ao domínio do dever, há autores (e.g., Nunnerwinkler, 1984) que sustentam que o desenvolvimento moral diz respeito ao domínio dos chamados deveres negativos ou perfeitos, tal como não bater ou não roubar por exemplo, nisso se distinguindo do desenvolvimento pós-social, que se refere ao domínio dos chamados deveres positivos ou imperfeitos, tal como ajudar ou confortar, por hipótese. Ainda em relação ao domínio do dever, há autores(e.g., Turiel, 1983) que consideram que é importante distiguir entre normas morais e convenções sociais. As primeiras têm a ver com a justiça e o bem-estar do outro, sendo por isso obrigatórias e reguladas socialmente. As convenções sociais (e.g., dar os bons dias ou chamar o médico por doutor) são apenas uniformidades comportamentais que pretendem regular a interacção social, não sendo por isso obrigatórias, nem reguladas socialmente.

A questão que pergunta o que é o desenvolvimento moral tem respostas diferentes, conforme a perspectiva teórica que se adopta. O desenvolvimento moral ora é considerado a maior ou menor identifcação da criança e do jovem com os valores e padrões morais da sociedade em geral, e dos pais em particular (perspectiva psicanalítica), ora considerado a maior ou menor interiorização de regras e normas morais aprovadas socialmente (perspectiva da aprendizagem social), considerado a construção de princípios morais e de justiça que estão muito além das normas morais e sociais vigentes (perspectiva estrutural-construtivista).