Vygotsky
Formado em Direito pela Universidade de Moscovo em 1918, o bielo-russo Lev Vygotsky era filho de uma próspera família judia. Durante o seu período acadêmico simultaneamente estudou literatura e história na Universidade Popular de Shanyavskii.
No ano de seu bacharelado em Direito, (1918), voltou para Gomel, onde havia leccionado anteriormente. Seis anos mais tarde casou-se aos 28 anos com Rosa Smekhova, com quem teve duas filhas. Apesar de sua formação em direito destacou-se na época por suas críticas literárias e análises do significado histórico e psicológico das obras de arte, trabalhos que posteriormente foram incorporados no livro Psicologia da Arte escrito entre 1924 e 1926, incluindo naturalmente a tese de doutorado sobre psicologia da arte que defendeu em 1925.
Ainda em Gomel, ministrava um curso de psicologia no Instituto de Treinamento de Professores onde criou um laboratório de psicologia, nesse mesmo período fundou uma editora e revista literária. Esse seu interesse por psicologia o fez ler criticamente,toda produção teórica de sua época em especial as teorias da gestalt, psicanálise e o behaviorismo além o mestre suíço Jean Piaget (1896-1980). As obras dos referidos autores são citadas e comentadas em seus diversos trabalhos e ele também escreveu prefácios para algumas dessas traduções.
Um de seu méritos, sem dúvida, foi acompanhar o grande experimento social que foi a revolução russa e a sua fundamentação teórica de Karl Marx (1818-1883 ) e Friedrich Engels (1820-1895 ), foi a partir das proposições teóricas do materialismo histórico que propôs a reorganização desse saber que é a psicologia, antevendo a tendencia de unificação das ciências humanas que denominaria psicologia cultural-histórica. Entre seu trabalhos de campo inclui-se visitas às distintas e isoladas populações camponesas fazendo testes neuropsicológicos entre as aldeias nômades do Uzbekistão e da Khirgizia na Ásia Central, antes e depois do realinhamento cultural e sócio-econômico da revolução socialista que incluia alfabetização, cursos rápidos de novas tecnologias, organização de brigadas, fazendas coletivas etc. Como descreve A R. Luria em seu ensaio sobre diferenças culturais e pensamento. (Vigotskii et al., 1988)
Sua experiência na formação de professores o levou ao estudo dos distúrbios de aprendizagem e linguagem das diversas formas de deficiências congênitas e adquiridas a exemplo da afasia. Complementando sua formação para estudo da etiologia de tais distúrbios graduou-se em medicina retomando o curso iniciando e substituído por Direito em Moscou e retomado e concluído em Kharkov. Seu interesse em medicina estava associado à manutenção do grupo de pesquisa (troika) de neuropsicologia com Alexander Luria (1902-1977) e Alexei Nikolaievich Leontiev (1904-1979). Suas principais contribuições à defectologia estão reunidas no livro Psicologia pedagógica.
Conta-se que graças a uma conferência proferida no II Congresso de Psicologia em Lenigrado foi convidado a trabalhar no Instituto de Psicologia de Moscou. Seu interesse simultâneo pelas funções mentais superiores, cultura, linguagem e processos orgânicos cerebrais pesquisados por neurofisiologistas russos com quem conviveu, especialmente Luria e Leotiev, em diversas contribuições no Instituto de Deficiências de Moscou na direção do departamento de Educação (especial) de Narcompros entre outros institutos (além das publicações sobre o tema) e no atualmente reconhecido e revolucionário livro A Formação Social da Mente, onde aborda os problemas da gênese dos processos psicológicos tipicamente humanos, analisando-os desde a infância ao seu contexto histórico-cultural.
